Em página anterior, foi vista a lei de Ampère para um meio de material magnético: ∫
H · d
ℓ = i. Para uma bobina de N espiras, a corrente deve ser multiplicada por esse número,
∫
H · d
ℓ = N i
#A.1#.
Onde
H é a
intensidade de campo magnético, cuja relação com a indução magnética
B é:
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| Fig 01 |
B = μm H #A.2#.
Onde μ
m é a permeabilidade magnética do meio, que pode ser dada em função da permeabilidade magnética do vácuo:
μ
m = K
m μ
0 #A.3#.
Onde K
m é a permeabilidade relativa do meio.
No caso da bobina toroidal (Figura 01), a simetria sugere a fácil solução da integral da igualdade #A.1#,
H ℓ = N i
#B.1#, onde ℓ = 2 π R (R = raio do núcleo).
No estudo de campo elétrico, a sua intensidade pode ser calculada pela diferença de potencial elétrico ou força eletromotriz e a distância. Desde que H = N i / ℓ, define-se por analogia:
Força magnetomotriz Fm = N i #C.1#.
Desde que é o produto do número de espiras pela corrente, é comum designar a unidade da força magnetomotriz por ampère-espira. Mas número de espiras é um fator adimensional e, portanto, a unidade no Sistema Internacional é a mesma da corrente elétrica (ampère).
Para a intensidade de campo magnético (H), a unidade é ampère por metro (A/m) ou ampère-espira por metro.
Pode-se supor que a igualdade #B.1# do tópico anterior é válida para um arranjo de uma bobina em um núcleo magnético fechado conforme Figura 01 (circuito magnético). Sejam as grandezas de referência:
i: corrente na bobina.
N: número de espiras
ℓ: comprimento do núcleo.
S: área transversal do núcleo (supostamente constante).
μ
m: permeabilidade magnética do material do núcleo.
Usando #C.1# e #B.1# do tópico anterior,
Fm = N i = H ℓ #A.1#. Portanto, H = N i / ℓ.
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| Fig 01 |
Também conforme tópico anterior, B = μ
m H
#B.1#. Considerando a definição de fluxo de campo magnético,
Φ
B = ∫
B · d
S = B S = μ
m N i S / ℓ
#B.2#. Reagrupando essa igualdade,
F
m = N i = [ ℓ / (μ
m S) ] Φ
B #C.1# ou
Fm = Rm ΦB #C.2# onde o fator
Rm = ℓ / (μm S) #C.3# é a
relutância magnética do núcleo.
Na comparação com um circuito elétrico (V = R i), a força magnetomotriz equivale à tensão, a relutância magnética equivale à resistência elétrica e o fluxo magnético equivale à corrente elétrica.
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| Fig 02 |
Na página
Eletromagnetismo II-20 pode ser vista a relação do fluxo magnético com a indutância L:
L i = N Φ
B #D.1#. Desde que Φ
B = F
m / R
m = N i / R
m, a substituição resulta na igualdade genérica para a indutância:
L = N2 / Rm #D.2#.
No
circuito magnético com entreferro (Figura 02), considera-se que a abertura de espessura g tem a permeabilidade magnética do vácuo ((μ
0).
Para pequenos valores de g a área do fluxo no entreferro é aproximadamente igual à do núcleo. E, de forma similar a uma série de resistências elétricas, a relutância magnética total pode ser considerada igual à soma da relutância do núcleo (R
m1) com a relutância do entreferro (R
m2):
Rm = Rm1 + Rm2 = [ ℓ / (μm S) ] + [ g / (μ0 S) ] #E.1#. E as fórmulas anteriores são usadas com esse valor de R
m.
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| Fig 03 |
Exemplo numérico
O arranjo da Figura 03 é uma construção típica para relés. A parte móvel do núcleo pode deslocar-se sob ação de molas e é usada para abrir ou fechar contatos elétricos. Deseja-se saber a corrente necessária na bobina considerando os seguintes dados.
• Indução magnética B = 1 T.
• Número de espiras da bobina N = 500.
• Comprimento de material magnético ℓ = 400 mm.
• Permeabilidade relativa do material magnético K
m = 1250.
• Espessura do entreferro g = 1,5 mm.
Para o entreferro, considera-se a permeabilidade magnética do vácuo μ
0 = 4 π 10
−7 Wb m/A. E a permeabilidade do material magnético é μ
m = 1250 4 π 10
−7 Wb m/A.
Na igualdade #E.1#, a espessura g deve ser o dobro porque são dois entreferros. Assim,
R
m = [ 0,4 / (1250 4 π 10
−7 S) + 0,003 / (4 π 10
−7 S) ] = [ 1 / (4 π 10
−7 S) ] ( 0,4/1250 + 0,003) = 0,00332 / (4 π 10
−7 S).
Das relações anteriores, F
m = N i = R
m Φ
B = R
m B S. Substituindo os valores,
500 i = [ 0,00332 / (4 π 10
−7 S) ] 1 S. Portanto, i ≈ 5,3 A.