Ação magnética sobre uma corrente elétrica |
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Em tópico anterior, foi dada a relação entre a força
F resultante da ação de um campo magnético
B sobre uma carga elétrica q com velocidade
v:
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| Fig 01 |
F = q v × B #A.1#.
Na prática, o que se deseja saber é o resultado da ação de um campo magnético sobre uma corrente elétrica.
Seja então o caso mais simples conforme Figura 01: um condutor retilíneo percorrido por uma corrente i e sob ação de uma indução magnética constante
B.
O vetor
ℓ representa o condutor, ou seja, tem o seu comprimento e sentido igual ao da corrente percorrida.
Para um comprimento infinitesimal, a força é d
F = dq
v ×
B. Mas a velocidade é
v = d
ℓ / dt. Substituindo e reagrupando, d
F = (dq / dt) d
ℓ ×
B. Mas (dq / dt) é a própria definição da corrente elétrica i. Com a integração para o comprimento total, chega-se a
F = i ℓ × B #B.1#.
Ação magnética sobre uma espira |
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Na Figura 01, os lados de uma espira condutora retangular são indicados pelos vetores
ℓ1,
ℓ2,
ℓ3 e
ℓ4, que têm o mesmo sentido da corrente circulante i. A espira pode girar em torno do eixo z e está sob ação de um campo magnético uniforme
B na direção indicada.
Segundo igualdade #B.1# do tópico anterior, a força atuante em um lado k é dada por
Fk = i
ℓk ×
B.
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| Fig 01 |
F2 e
F4 são opostas de mesmo alinhamento e, portanto, anulam-se.
F1 e
F3 são opostas, mas não têm o mesmo alinhamento. Assim, há um conjugado dado, em módulo, por
τ = F
1 ℓ
2 cos α. Mas F
1 = i ℓ
1 B. Substituindo,
τ = i ℓ
1 ℓ
2 cos α B.
Mas ℓ
1 ℓ
2 = S (área da espira).
Com a substituição da área, chega-se ao resultado
τ = i S B cos α #A.1#.
Pode-se demonstrar que a fórmula acima é válida para qualquer formato de espira plana, não apenas o retangular. Essa relação é o princípio básico do funcionamento de máquinas elétricas como motores e de instrumentos como galvanômetros.
Para um caso mais genérico, de uma
bobina de N espiras, o torque é multiplicado por esse valor
τ = N i S B cos α #A.2#.
Considerando a equação do torque do tópico anterior, pode-se concluir que, partindo de uma posição qualquer, a espira gira até a posição de torque nulo, isto é, α = 90°. Nessa condição, o vetor do campo magnético está alinhado com a reta normal à superfície da espira, de forma similar à agulha de uma bússola, que se alinha na direção do campo magnético da Terra.
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| Fig 01 |
A relação #A.1# do tópico anterior pode ser escrita
τ = i S B sen β, onde β = 90 + α = ângulo da normal à superfície da espira com o vetor
B.
Essa relação sugere um produto vetorial e, portanto, o vetor conjugado pode ser dado por
τ = μ × B #A.1#.
A grandeza vetorial
μ é denominada
momento de dipolo magnético e, assim, o torque (momento mecânico) é igual ao produto vetorial dela pelo vetor campo magnético.
Do desenvolvimento anterior, deduz-se que o momento de dipolo magnético, para o caso genérico de N espiras, é definido por
μ = N i S #B.1#. Onde
μ: momento de dipolo magnético.
N: número de espiras da bobina.
i: corrente que circula pela bobina.
S: vetor de superfície.
O sentido do vetor
μ pode ser facilmente deduzido pela regra da mão direita, considerando o sentido da corrente circulante.
Se feita a integração do torque
τ ao longo de um deslocamento angular (operação aqui não demonstrada), chega-se ao resultado (produto escalar):
U = − μ · B #C.1#.
Na relação acima, U é a
energia potencial do dipolo, isto é, o trabalho que seria necessário para girá-lo da posição de conjugado nulo até o ângulo do vetor
μ.