Interação magnética e campo magnético |
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O fato de dois ímãs se atraírem ou se repelirem, dependendo das suas posições, pode sugerir a existência de cargas magnéticas similares às elétricas. Entretanto, tal modelo não deve ser considerado.
Cargas elétricas podem existir de forma isolada, mas não é possível separar espécies de magnetismo. Se um ímã for dividido em duas ou mais partes, elas serão simplesmente outros ímãs com as mesmas características de atração e repulsão do original. No modelo aceito não existem cargas, mas sim
dipolos magnéticos. Aos pólos são dados os nomes de
norte (N) e
sul (S). E a interação entre os mesmos é a face mais visível do magnetismo: pólos idênticos se repelem e pólos opostos se atraem.
O conceito de campo magnético é similar ao do elétrico. O vetor do campo magnético
B é usualmente denominado
indução magnética e as linhas que representam o campo são as
linhas de indução. E as propriedades são similares às propriedades das linhas de campo elétrico:
• Uma tangente à linha de indução em um determinado ponto indica a direção do vetor
B nesse ponto.
• O número de linhas por unidade de área é proporcional ao módulo do vetor
B. Isso significa que as linhas são mais próximas entre si onde
B é maior e mais afastadas onde
B é menor.
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| Fig 01 |
A grandeza
fluxo de campo magnético em uma superfície S é definida de forma similar à do fluxo elétrico:
ΦB = ∫S B · dS #A.1#.
A unidade de fluxo magnético no Sistema Internacional é o
weber (Wb).
Entretanto, a
lei de Gauss para o magnetismo tem uma formulação diferente da correspondente na eletricidade.
O fluxo de campo elétrico em uma superfície fechada é dado por
Φ
E = q /ε
0, onde q é a carga elétrica no interior da superfície.
Desde que não há pólos magnéticos isolados, se S é uma
superfície fechada, deve-se ter
ΦB = ∫S B · dS = 0 #B.1#.
É importante lembrar que a igualdade é válida se S for uma superfície fechada.
Devido à não existência de campos magnéticos isolados, o vetor indução magnética é definido de forma diferente do campo elétrico:
Seja, conforme Figura 02, uma carga elétrica q que se move com velocidade
v e sobre a qual age uma força
F perpendicular a
v. Então, a
indução magnética no ponto da carga é o vetor
B que satisfaz à relação
F = q v × B #C.1#.
Ou seja, a força é o produto vetorial de q
v pela indução magnética. E a direção de
v ×
B pode ser vista pela conhecida regra da mão direita.
Notar que, se
v for nulo,
F também será e isso significa que a interação eletromagnética só ocorre com
cargas em movimento.
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| Fig 02 |
Se existe também um campo elétrico
E no espaço em estudo, pode-se considerar a soma vetorial da força que ele exerce sobre a carga, resultando numa formulação mais genérica:
F = q E + q v × B #D.1#.
Essa igualdade é denominada
relação de Lorentz.
A unidade da indução magnética (vetor B) no Sistema Internacional é N s C
−1 m
−1, que é denominada
tesla (T). Uma unidade antiga, mas ainda possivelmente usada, é o
gauss (G), que equivale a 10
−4 T.
O tesla pode ser também expresso em
weber por metro quadrado (Wb/m
2). Isso pode ser deduzido pela relação dimensional conforme definição anterior de fluxo de campo magnético: weber = tesla × área.
Alguns valores típicos de campo magnético:
• Terra 30 a 60 µT (0,3 a 0,5 gauss) dependendo do local.
• Pequenos ímãs de uso em brinquedos, portas de geladeiras, etc estão na faixa de 0,01 T (100 gauss).
Exemplo (efeito Hall)
Descoberto por E H Hall em 1879. Conforme Figura 03 abaixo, um condutor de seção retangular delgada é percorrido por uma corrente i no sentido longitudinal. Está sob ação de uma indução magnética
B no sentido transversal.
• Em (a) é suposto que os portadores de carga são negativos e, portanto, o vetor velocidade
v está para baixo.
• Em (b) é suposto que os portadores de carga são positivos e, assim, o vetor
v está para cima.
Notar que a força
F tem o mesmo sentido em ambos os casos. Mas por quê?
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| Fig 03 |
Lembrando que
F = q
v ×
B, deduz-se que em (b) a força tem o mesmo sentido de
v ×
B porque a carga q é positiva.
Em (a),
v ×
B tem sentido contrário, mas a carga q é negativa e, assim, o resultado
F tem o mesmo sentido de (b).
A ação da força
F tende a deslocar os portadores de carga ao longo do eixo horizontal, provocando uma diferença de potencial entre as laterais S
1 e S
2. Se eles são negativos, a polaridade será conforme (a) e conforme (b) se são positivos.
Alguma dúvida pode surgir quanto a portadores de carga positivos. Nos condutores usuais (metais), somente elétrons são portadores. Mas no caso de semicondutores, aos quais se adicionam impurezas para torná-los tipo P, os
buracos criados por elas simulam portadores positivos.