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Circuitos elétricos I-90: Correntes contínuas


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Amperímetro: princípios e algumas aplicações

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A Figura 01 dá o princípio básico do amperímetro clássico (também denominado instrumento D'Arsonval): uma bobina móvel (que se liga aos bornes com fios flexíveis) é acoplada a um ponteiro que pode girar em torno de um eixo.

Princípio básico do amperímetro
Fig 01
Uma mola espiral não indicada na figura atua sobre esse conjunto de forma que, sem corrente, o ponteiro repousa no lado esquerdo da escala.

Desde que a bobina móvel está sob ação de um campo magnético de um ímã permanente, ao passar uma corrente elétrica pela mesma, o campo magnético gerado pela interage com o campo do ímã, girando o conjunto para a direita.

Dos princípios do eletromagnetismo e da mecânica simples, deduz-se que a deflexão é proporcional à corrente que circula pela bobina.

Na prática, esses instrumentos têm construção delicada, tipo mecanismo de relógio, e podem apresentar sensibilidade para correntes pequenas, na faixa de microampères.

Circuitos básicos com amperímetros
Fig 02
Nos esquemas, amperímetros são simbolizados por círculos com a letra A. A Figura 02 (a) dá o circuito básico da medição de corrente com o amperímetro.

Assim, a corrente indicada é

ia = vs / (Rs + RL) #A.1#.

Mas isso seria o caso de um instrumento ideal. Amperímetros reais sempre apresentam uma resistência interna Rm, de forma que o diagrama real é simulado em (b) da figura e a corrente é

ib = vs / (Rs + Rm + RL) #A.2#.

Portanto, ib < ia.

Pode-se então concluir que o amperímetro deve ter a menor resistência interna possível. Em muitos casos práticos, essa resistência é pequena em relação às demais do circuito, de forma que a redução da corrente medida pode ser desprezada.

A bitola do fio da bobina móvel deve ser dimensionada de acordo com a faixa de correntes a medir. Acima de certo valor, é inviável a construção prática das bobinas, de modo que, para correntes mais elevadas, os amperímetros são quase sempre implementados com auxílio de uma resistência de derivação em paralelo ou shunt, do inglês. O seu uso permite ainda a multiplicidade de escalas mediante simples comutação de resistores.

Amperímetro com shunt
Fig 03
A Figura 03 dá o esquema de um amperímetro real, de resistência interna Rm, com uma resistência de shunt Rp. A lei das correntes de Kirchhoff no nó esquerdo implica

i = im + ip #B.1#

Para o laço A, Rm e Rp, segundo a lei das tensões de Kirchhoff, Rm im = Rp ip #B.2#. Combinando as duas igualdades de forma a eliminar ip,

i = im (1 + Rm / Rp) #B.3#.

Portanto, a corrente real é a corrente medida multiplicada por um fator dependente da relação Rm / Rp. Naturalmente, a escala pode ser confeccionada para leitura direta de acordo com essa relação.

Voltímetro básico
Fig 04
A tensão entre os terminais de um amperímetro real, sem shunt, percorrido por uma corrente im é dada por

v = Rm im #C.1#. Dessa relação conclui-se que um amperímetro pode operar como voltímetro, pois a tensão é proporcional à corrente medida.

A maioria dos valores usuais de tensão exigem resistências maiores que a própria do instrumento (Rm), de forma que voltímetros práticos usam resistências multiplicadoras Rx, conforme indicado na Figura 04.

No esquema dessa figura, a tensão na resistência de carga RL é dada por

vRL = (Rx + Rm) im #C.2#.

Nos voltímetros comuns, as escalas são desenhadas de acordo com o multiplicador usado, para indicação direta da tensão. Comutação de resistores pode ser empregada para proporcionar múltiplas escalas.

Voltando ao circuito da Figura 04, pode-se observar que a corrente de medição im aumenta a queda de tensão em Rs e, por isso, a tensão medida é inferior à tensão real, sem o instrumento. Um voltímetro deve ter, portanto, a maior resistência interna possível. Esse aspecto é importante em circuitos eletrônicos de sinais, onde as correntes são em geral pequenas e o uso de voltímetros inadequados pode resultar em erros significativos.

É comum a especificação da resistência interna de voltímetros em ohms por volt para o fundo de escala. Por exemplo, um voltímetro 0-5 V e 10000 Ω/V apresenta uma resistência de 5×10000 = 50 kΩ.

O símbolo usual de voltímetro é similar ao do amperímetro, com um V no lugar do A no interior do círculo. Nos diagramas comuns, os símbolos abrangem as resistências internas que existirem. Se forem instrumentos ideais, elas serão nulas nos amperímetros e infinitas nos voltímetros.

Um medidor de resistência (ohmímetro) pode ser implementado com um voltímetro de acordo com o circuito básico da Figura 05.

Ohmímetro básico
Fig 05
Considerando um voltímetro de elevada resistência interna, a corrente por ele drenada pode ser desprezada e a queda de tensão em R2 é aproximadamente a leitura v:

v ≈ vR2 #D.1#.

Aplicando a lei das tensões de Kirchhoff no laço formado por Vs, R2 e R,

− vs + R2 i + R i = 0. Mas a corrente i é dada por i = vR2 / R2 ≈ v / R2 (usando #D.1#). Substituindo e simplificando, o resultado final da igualdade anterior é

R = R2 ( vs / v − 1 ) #D.2#.

A tensão da bateria vs pode ser medida com as pontas de prova em curto-circuito. E o valor da resistência desconhecida R é calculado pela fórmula acima.

Ohmímetros práticos usam um resistor ajustável R1 para fazer, com as pontas em curto, o valor de vs igual à leitura máxima do voltímetro e a escala é graduada em ohms, em relação a esse valor máximo. Notar que, segundo a fórmula #D.2#, a escala é não linear e inversa, isto é, quanto maior R, menor a leitura.

Observar também que a fórmula #D.2# foi obtida com a aproximação de #D.1#. Desde que não há voltímetros ideais, os ohmímetros práticos usam circuitos para compensar essa aproximação, mas o princípio básico é o mesmo.

Um mesmo instrumento D'Arsonval pode ser combinado com chaves comutadoras e circuitos para executar as funções de amperímetro, voltímetro e ohmímetro. É o conhecido multímetro, de amplo uso em equipamentos eletrônicos.

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