Amperímetro: princípios e algumas aplicações |
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A Figura 01 dá o princípio básico do amperímetro clássico (também denominado instrumento D'Arsonval): uma bobina móvel (que se liga aos bornes com fios flexíveis) é acoplada a um ponteiro que pode girar em torno de um eixo.
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| Fig 01 |
Uma mola espiral não indicada na figura atua sobre esse conjunto de forma que, sem corrente, o ponteiro repousa no lado esquerdo da escala.
Desde que a bobina móvel está sob ação de um campo magnético de um ímã permanente, ao passar uma corrente elétrica pela mesma, o campo magnético gerado pela interage com o campo do ímã, girando o conjunto para a direita.
Dos princípios do eletromagnetismo e da mecânica simples, deduz-se que a deflexão é proporcional à corrente que circula pela bobina.
Na prática, esses instrumentos têm construção delicada, tipo mecanismo de relógio, e podem apresentar sensibilidade para correntes pequenas, na faixa de microampères.
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| Fig 02 |
Nos esquemas, amperímetros são simbolizados por círculos com a letra A. A Figura 02 (a) dá o circuito básico da medição de corrente com o amperímetro.
Assim, a corrente indicada é
i
a = v
s / (R
s + R
L)
#A.1#.
Mas isso seria o caso de um instrumento ideal. Amperímetros reais sempre apresentam uma resistência interna R
m, de forma que o diagrama real é simulado em (b) da figura e a corrente é
i
b = v
s / (R
s + R
m + R
L)
#A.2#.
Portanto, i
b < i
a.
Pode-se então concluir que o amperímetro deve ter a menor resistência interna possível. Em muitos casos práticos, essa resistência é pequena em relação às demais do circuito, de forma que a redução da corrente medida pode ser desprezada.
A bitola do fio da bobina móvel deve ser dimensionada de acordo com a faixa de correntes a medir. Acima de certo valor, é inviável a construção prática das bobinas, de modo que, para correntes mais elevadas, os amperímetros são quase sempre implementados com auxílio de uma resistência de derivação em paralelo ou
shunt, do inglês. O seu uso permite ainda a multiplicidade de escalas mediante simples comutação de resistores.
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| Fig 03 |
A Figura 03 dá o esquema de um amperímetro real, de resistência interna R
m, com uma resistência de shunt R
p. A lei das correntes de Kirchhoff no nó esquerdo implica
i = i
m + i
p #B.1#
Para o laço A, R
m e R
p, segundo a lei das tensões de Kirchhoff, R
m i
m = R
p i
p #B.2#. Combinando as duas igualdades de forma a eliminar i
p,
i = i
m (1 + R
m / R
p)
#B.3#.
Portanto, a corrente real é a corrente medida multiplicada por um fator dependente da relação R
m / R
p. Naturalmente, a escala pode ser confeccionada para leitura direta de acordo com essa relação.
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| Fig 04 |
A tensão entre os terminais de um amperímetro real, sem shunt, percorrido por uma corrente i
m é dada por
v = R
m i
m #C.1#. Dessa relação conclui-se que um amperímetro pode operar como
voltímetro, pois a tensão é proporcional à corrente medida.
A maioria dos valores usuais de tensão exigem resistências maiores que a própria do instrumento (R
m), de forma que voltímetros práticos usam resistências multiplicadoras R
x, conforme indicado na Figura 04.
No esquema dessa figura, a tensão na resistência de carga R
L é dada por
v
RL = (R
x + R
m) i
m #C.2#.
Nos voltímetros comuns, as escalas são desenhadas de acordo com o multiplicador usado, para indicação direta da tensão. Comutação de resistores pode ser empregada para proporcionar múltiplas escalas.
Voltando ao circuito da Figura 04, pode-se observar que a corrente de medição i
m aumenta a queda de tensão em R
s e, por isso, a tensão medida é inferior à tensão real, sem o instrumento. Um voltímetro deve ter, portanto, a maior resistência interna possível. Esse aspecto é importante em circuitos eletrônicos de sinais, onde as correntes são em geral pequenas e o uso de voltímetros inadequados pode resultar em erros significativos.
É comum a especificação da resistência interna de voltímetros em
ohms por volt para o fundo de escala. Por exemplo, um voltímetro 0-5 V e 10000 Ω/V apresenta uma resistência de 5×10000 = 50 kΩ.
O símbolo usual de voltímetro é similar ao do amperímetro, com um V no lugar do A no interior do círculo. Nos diagramas comuns, os símbolos abrangem as resistências internas que existirem. Se forem instrumentos ideais, elas serão nulas nos amperímetros e infinitas nos voltímetros.
Um medidor de resistência (
ohmímetro) pode ser implementado com um voltímetro de acordo com o circuito básico da Figura 05.
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| Fig 05 |
Considerando um voltímetro de elevada resistência interna, a corrente por ele drenada pode ser desprezada e a queda de tensão em R
2 é aproximadamente a leitura v:
v ≈ v
R2 #D.1#.
Aplicando a lei das tensões de Kirchhoff no laço formado por V
s, R
2 e R,
− v
s + R
2 i + R i = 0. Mas a corrente i é dada por i = v
R2 / R
2 ≈ v / R
2 (usando #D.1#). Substituindo e simplificando, o resultado final da igualdade anterior é
R = R
2 ( v
s / v − 1 )
#D.2#.
A tensão da bateria v
s pode ser medida com as pontas de prova em curto-circuito. E o valor da resistência desconhecida R é calculado pela fórmula acima.
Ohmímetros práticos usam um resistor ajustável R
1 para fazer, com as pontas em curto, o valor de v
s igual à leitura máxima do voltímetro e a escala é graduada em ohms, em relação a esse valor máximo. Notar que, segundo a fórmula #D.2#, a escala é não linear e inversa, isto é, quanto maior R, menor a leitura.
Observar também que a fórmula #D.2# foi obtida com a aproximação de #D.1#. Desde que não há voltímetros ideais, os ohmímetros práticos usam circuitos para compensar essa aproximação, mas o princípio básico é o mesmo.
Um mesmo instrumento D'Arsonval pode ser combinado com chaves comutadoras e circuitos para executar as funções de amperímetro, voltímetro e ohmímetro. É o conhecido
multímetro, de amplo uso em equipamentos eletrônicos.