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Circuitos elétricos I-80: Correntes contínuas


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Teorema de Thévenin e teorema de Norton |
 

Teorema de Thévenin e teorema de Norton

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Seja um circuito genérico X de dois terminais de saída, representado por um retângulo em (a) e em (b) da Figura 01. Esse circuito é supostamente formado por fontes independentes (pelo menos uma), fontes dependentes e resistores.

Teorema de Thévenin e teorema de Norton
Fig 01
A tensão de circuito aberto entre terminais, vca, é indicada em (a) da figura.

A corrente de curto-circuito entre terminais, icc, é indicada em (b) da figura.

A resistência de Thévenin desse circuito é dada pela relação entre ambas

Rth = vca / icc #A.1#.

O teorema de Thévenin afirma que esse circuito é equivalente a uma fonte de tensão vca em série com uma resistência Rth, conforme (c) da figura.

O teorema de Norton estabelece que o circuito é equivalente a uma fonte de corrente icc em paralelo com uma resistência Rth, conforme (d) da figura.

As seguintes relações podem ser facilmente deduzidas.

• na equivalência de Thévenin, se a carga drena uma corrente i, a tensão é dada por

v = vca − Rth i #B.1#.

• na equivalência de Norton, se a carga fixa uma tensão v, a corrente é dada por

i = icc − v / Rth #B.2#.

Fontes equivalentes
Fig 02
Os teoremas anteriores podem ser aplicados na solução de alguns problemas de circuitos, que envolvem parâmetros entre dois terminais.

Em muitos casos, é bastante útil a conversão de fontes conforme ilustrado na Figura 02.

A equivalência dos circuitos pode ser facilmente deduzida com os teoremas anteriores e pode ser assim resumida:

• uma fonte de tensão v em série com uma resistência R equivale a uma fonte de corrente i = v/R em paralelo com uma resistência R.

• uma fonte de corrente i em paralelo com uma resistência R equivale a uma fonte de tensão v = R i em série com uma resistência R.

No exemplo da Figura 03 (a), uma fonte de tensão vs alimenta uma resistência de carga RL via divisor de tensão formado por R1 e R2. Dados esses parâmetros, deseja-se saber a tensão e corrente na carga, vRL e iRL.

Notar que a fórmula vista em página anterior para divisor de tensão não considera corrente de carga. Assim, quando se aplica uma resistência real RL, a tensão é menor que a calculada pela fórmula mencionada.

Exemplo para teorema de Thévenin
Fig 03
Para a solução com o teorema de Thévenin, consideram-se terminais na resistência RL. Assim, a parte (b) da figura mostra a tensão de circuito aberto, que é calculada pela fórmula do divisor de tensão porque não há corrente:

vca = vs R1 / (R1 + R2).

A corrente de curto-circuito é vista em (c) da figura:

icc = vs / R2.

E a resistência de Thévenin é dada por:

Rth = vca / icc = R1 R2 / (R1 + R2).


A parte (d) da mesma figura mostra o equivalente de Thévenin para o circuito. E a corrente da carga é calculada por:

(Rth + RL) iRL = vca. Substituindo os valores anteriores,

[ R1 R2 / (R1 + R2) + RL ] iRL = vs R1 / (R1 + R2). Portanto, a corrente iRL é calculada a partir dos parâmetros supostamente conhecidos e a tensão é vRL = RL iRL.


Para o exemplo da Figura 04, pede-se determinar os parâmetros de Thévenin em função da tensão vs1, da fonte S1.

Considerando-se os terminais 1 e 2 abertos, a corrente em R1 é calculada com uso da LTK (lei das tensões de Kirchhoff) no laço S1, R1 e R2:

− vs1 + 200 iR1 + vR2 = 0. Portanto, iR1 = (vs1 − vR2) / 200.

A corrente em R2 é iR2 = vR2 / 2000.

A corrente em R3 é calculada com o uso da LTK no laço limitado pelos nós n1, n2, n3 e n4:

Exemplo para teorema de Thévenin
Fig 04
− vR2 + 1900 iR3 + 100 iR3 − 98 vR2 = 0.

Portanto, iR3 = 99 vR2 / 2000.

A aplicação da lei das correntes de Kirchhoff (LCK) no nó n1 implica

iR1 = iR2 + iR3. Substituindo,

(vs1 − vR2) / 200 = vR2 / 2000 + 99 vR2 / 2000. Assim, vR2 = vs1 / 11.

E a tensão de circuito aberto é a soma da queda de tensão em R4 com a tensão de S2. Desde que não há corrente entre 1 e 2, a corrente em R4 é igual à corrente em R3:

vca = 100 iR3 − 98 vR2 = 100 99 vR2 / 2000 − 98 vR2.

vca = − 93,05 vR2 = − 93,05 vs1 / 11 ≈ − 8,46 vs1.

A Figura 04A (a) mostra a situação com os terminais 1 e 2 em curto-circuito. A corrente em R1 tem a mesma expressão anterior:

Exemplo para teorema de Thévenin
Fig 04A
iR1 = (vs1 − vR2) / 200.

A corrente em R2 é também iR2 = vR2 / 2000.

A tensão em R3 é a mesma de R2, ou seja, vR2. Portanto, a corrente é

iR3 = vR2 / 1900.

De forma similar à situação anterior, a lei das correntes de Kirchhoff (LCK) no nó n1 resulta em

iR1 = iR2 + iR3. Substituindo os valores anteriores,


(vs1 − vR2) / 200 = vR2 / 2000 + vR2 / 1900. Resolvendo, vR2 = 190 vs1 / 229.

A corrente em R4 é obtida pela LTK no laço n2, 1, 2 e n3:

100 iR4 − 98 vR2 = 0 ou iR4 = 98 vR2 / 100.

Aplica-se agora a LCK no nó n2: iR3 = iR4 + icc. Substituindo, vR2 / 1900 = 98 vR2 / 100 + icc.

Resolvendo, icc ≈ − 0,98 vR2. Substituindo o valor de vR2, obtém-se icc ≈ − 0,98 190 vs1 / 229 = − 0,813 vs1.

Portanto, o circuito é equivalente a (b) da Figura 04A, com vca ≈ − 8,46 vs1 e

Rth = vca / icc = − 8,46 vs1 / (− 0,813 vs1) ≈ 10,4 Ω.

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