Circuito RLC série - Fator de qualidade e largura de banda |
Topo | Fim |
No tópico anterior, foi desenvolvida a fórmula da freqüência ressonância de um circuito RLC série:
f
0 = 1 / [ 2 π √ (LC) ]
#A.1#.
No trabalho com fórmulas, elas ficam mais simples com o uso da velocidade angular de ressonância em vez de freqüência:
 |
| Fig 01 |
ω
0 = 1 / √ LC
#A.2#.
Por isso, aqui é adotado esse parâmetro, lembrando que a relação com a freqüência é a simples proporção
ω
0 = 2 π f
0.
Nota-se que o valor da velocidade angular de ressonância não depende da resistência R. Mas isso não significa que outras características do circuito sejam desconexas do valor de R.
O
fator de qualidade Q de um circuito RLC série é a relação entre a reatância indutiva de ressonância e o valor da resistência:
Q = X
L0 / R = ω
0 L / R = (1/R) √ (L/C)
#B.1#.
A Figura 01 mostra curvas da variação da intensidade de corrente com a freqüência nas proximidades da ressonância para valores de R distintos (mantidos os demais parâmetros) de modo a resultar em valores de Q diferentes. Quanto maior o valor de R (menor Q), mais achatada é a curva.
Por atenuarem sinais que se afastam da ressonância, circuitos deste tipo são amplamente empregados quando se deseja uma separação ou seleção de sinais, como sintonizadores e filtros. Portanto, o fator Q é uma medida da seletividade do circuito e o seu valor deve ser definido de acordo com a aplicação.
 |
| Fig 02 |
Na realidade, o fator Q está ligado à
largura de banda B (
bandwidth, em inglês) do circuito, que é definida pela faixa de freqüências cuja potência é maior ou igual à metade da potência máxima, que, por sua vez, é a potência dissipada na freqüência de ressonância.
A Figura 02 dá uma curva típica de um circuito RLC conforme equação da corrente vista em página anterior. Trabalha-se com velocidade angular ω em vez de freqüência f para simplificar as fórmulas conforme já mencionado.
A corrente máxima é a da ressonância I
0 = V
p / R porque, nessa situação, a impedância é puramente resistiva.
Desde que a potência é proporcional ao quadrado da corrente, metade da potência máxima equivale á máxima corrente dividida por √ 2. Então, a largura de banda é definida pelos valores ω
1 e ω
2 tais que
I
1 = I
2 = I
0/ √ 2 = V
p / (R √ 2).
De acordo com #C.1# da página anterior,
I
p = V
p / √ [ R
2 + (ωL − 1/ωC)
2 ].
Substituindo o valor anterior da corrente,
V
p / √ [R
2 + (ωL − 1/ωC)
2] = V
p / (R √ 2) = V
p / √ (2 R
2). Simplificando,
(ωL − 1/ωC)
2 = R
2. A solução dessa equação é simples e aqui não é desenvolvida. Notar, entretanto, que ela admite 4 soluções e que se deve desprezar as de valores negativos porque não têm sentido prático. O resultado final é
ω
2,1 = √ [ (R/2L)
2 + (1/LC) ] ± (R/2L)
#C.1#.
Portanto, a largura de banda é dada por
B = ω2 − ω1 = R / L #D.1#.
Combinando a igualdade acima com #B.1#, chega-se à fórmula do fator de qualidade em função da velocidade angular de ressonância e da largura de banda:
Q = ω0 / B #E.1#.
Circuito básico RLC paralelo |
Topo | Fim |
No circuito RLC série visto em página anterior, supõe-se implicitamente uma fonte de tensão de referência e calcula-se a corrente circulante. No arranjo paralelo básico da Figura 01, é suposta uma corrente de referência fornecida pela fonte e o comportamento da tensão V é o parâmetro a determinar.
Desde que os elementos estão em paralelo, a impedância resultante é calculada de forma idêntica à de uma associação paralela de resistências.
1/
Z =
A = 1/R + 1/(jωL) + 1/(−j/ωC).
A = 1/R + j (ωC − 1/ωL). O módulo da
A é dado por:
 |
| Fig 01 |
A = √ [ (1/R)
2 + (ωC − 1/ωL)
2 ].
E o ângulo
φ
A = tan
−1 [ (ωC − 1/ωL)/(1/R) ].
φ
A = tan
−1 [ R (ωC − 1/ωL) ].
Sendo
Z o inverso de
A, na forma exponencial ocorre
Z = 1/
A = (1/A) e
j(−φA
). Então, o módulo da impedância é
Z = 1 / √ [ (1/R)
2 + (ωC - 1/ωL)
2 ]
#A.1#.
E o ângulo de defasagem φ = − tan
−1 [ R (ωC − 1/ωL) ]
#A.2#.
 |
| Fig 02 |
Da relação V = Z I, obtém-se a tensão de pico em termos da corrente de pico da fonte
V
p = I
p / √ [ (1/R)
2 + (ωC − 1/ωL)
2 ]
#B.1#.
Portanto, a tensão é máxima quando (ωC − 1/ωL) é nulo, isto é, o circuito se encontra em ressonância (ver gráfico da Figura 02).
Da igualdade (ωC − 1/ωL) = 0 é deduzida a velocidade angular de ressonância:
ω0 = 1 / √ LC #B.2#.
Notar que é a mesma fórmula do circuito RLC série. E a freqüência de ressonância é
f0 = ω0 / 2 π = 1 / (2 π √ LC) #C.1#.
Os mesmos conceitos de largura de banda e fator de qualidade, vistos no tópico anterior para o circuito em série, são aplicáveis. O desenvolvimento matemático é similar e aqui não é dado. Os resultados são:
ω2,1 = √ [ (1/2RC)2 + (1/LC) ] ± (1/2RC) #D.1#.
Largura de banda
B = ω2 − ω1 = 1/RC #E.1#.
Fator de qualidade
Q = ω0 / B = R √ (C/L) #F.1#.