Circuitos RLC - Introdução |
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Circuitos formados pela combinação, em série ou em paralelo, de resistor, indutor e capacitor apresentam a peculiaridade da ressonância e, por isso, têm importantes aplicações práticas. Na sua análise, pode-se resumir as impedâncias de cada componente conforme conceitos e deduções vistas em páginas anteriores:
• A impedância do resistor é dada por R, isto é, a sua resistência. Um número real, portanto.
• A impedância do indutor é dada por j ω L, onde j é a unidade imaginária (√ −1), ω é a velocidade angular e L a sua indutância. É, portanto, um número imaginário puro. A expressão ω L é denominada
reatância indutiva (X
L).
• A impedância do capacitor é dada por − j / (ω C), onde j e ω são conforme item anterior e C é a sua capacitância. É também um número imaginário puro. A expressão 1 / ω C é denominada
reatância capacitiva (X
C).
Com a associação desses componentes em série ou em paralelo, pode-se calcular a impedância equivalente, que deve ser um número complexo, isto é, formado por uma parte real e outra imaginária.
O parâmetro ω (velocidade angular) é empregado por razões de simplicidade. Nas especificações práticas de correntes alternadas, é usada quase sempre a freqüência f, que pode ser convertida pela simples relação ω = 2 π f.
Este circuito pode ser analisado pela aplicação da segunda lei de Kirchhoff:
v = Ri + L di/dt + q/C.
Deve-se, portanto, procurar uma solução para a equação acima.
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| Fig 01 |
Mas a equação diferencial demanda sempre algum trabalho para resolver.
Com o conceito de impedância complexa, somam-se simplesmente as impedâncias de cada componente, como se fosse uma associação em série de resistores.
Z = R + j ω L − j / ω C = R + j (ω L − 1 / ω C)
#A.1#.
Pode-se também escrever
Z = R + j (X
L − X
C)
#A.2#, considerando as identidades já vistas nesta página e em páginas anteriores:
X
L = ωL.
X
C = 1/ωC.
Graficamente, a impedância é representada conforme Figura 02.
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| Fig 02 |
O módulo de Z é dado por:
Z = √ (R
2 + X
2) = √ [ R
2 + (ωL − 1/ωC)
2 ]
#B.1#.
E o ângulo de defasagem é
φ = tan
−1 X/R = tan
−1 (ωL − 1/ωC) / R
#B.2#.
Na forma exponencial, valem as igualdades já vistas em páginas anteriores:
Corrente
I = I
p e
jωt.
Tensão
V = V
p e
j(ωt + φ).
Impedância
Z = Z e
jφ.
Isso está perfeitamente de acordo com a igualdade básica da impedância,
V =
Z I, porque
Z I =
Z I
p e
jωt e
jφ =
Z I
p e
j(ωt + φ) = V
p e
j(ωt + φ) =
V.
Portanto,
Ip = Vp / Z = Vp / √ [ R2 + (ωL − 1/ωC)2 ] #C.1#.
Fórmula idêntica seria obtida pela resolução da equação diferencial do início deste tópico.
Volta-se agora à fórmula anterior (#B.1#) do módulo (ou valor absoluto) da impedância:
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| Fig 03 |
Z = √ [ R
2 + (ωL − 1/ωC)
2 ]. É suposto que os valores de R, L e C são constantes.
Se a freqüência (e, portanto, ω) é muito baixa, a impedância deve ser alta porque 1/ωC é alto. Se ela é muito alta, a impedância deve ser também alta, porque ωL é alto. E, naturalmente, deve haver um valor de ω para o qual a impedância é mínima, o que ocorre quando
ωL − 1/ωC = 0.
Nessa condição, a impedância é igual a R, ou seja, o circuito opera como se fosse apenas o resistor. É a denominada
ressonância do circuito. A freqüência correspondente, isto é, a
freqüência de ressonância, pode ser facilmente determinada pela igualdade anterior:
ωL − 1/ωC = 0 ou
ω0 = 1 / √ (LC) #D.1#. Desde que ω = 2 π f,
f0 = 1 / [ 2 π √ (LC) ] #D.2#.
Da relação entre tensão de pico e corrente de pico (#C.1#) conclui-se que, mantida a primeira constante, a variação da corrente ocorre de forma contrária à variação da impedância, ou seja, a corrente é máxima na ressonância. O gráfico da Figura 03 dá uma curva típica para o circuito.
Exemplo de cálculo: sejam os seguintes valores para o circuito:
v = 12 V.
R = 1,2 10
2 Ω.
C = 1,0 10
−7 F.
L = 4,0 10
−1 H
De acordo com a fórmula anterior, a freqüência de ressonância é
f ≈ 796 Hz e a correspondente freqüência angular,
ω = 5000 rad/s.
E a corrente do circuito na ressonância é
I = V/R = 12 / 1,2 10
2 = 0,1 A.
A tensão no capacitor é o produto corrente x impedância:
V
C = I Z = I X
C = I (1/ωC) = 10
−1 / (5,0 10
3 1,0 10
−7) = 200 V.
Analogamente no indutor:
V
L = I Z = I X
L = I ωL = 10
−1 5,0 10
3 4,0 10
−1 = 200 V.
As duas tensões são idênticas e, como estão defasadas entre si de 90 − (−90) = 180º, anulam-se mutuamente.
Notar entretanto que, individualmente, a tensão no indutor e no capacitor é muitas vezes superior à tensão aplicada no circuito. Assim, esses componentes devem ser especificados para suportar essa tensão e as pessoas devem ter cuidado (e conhecimento) ao trabalhar com circuitos elétricos.