Algumas informações sobre potência em corrente alternada foram dadas na página
Correntes alternadas I-20. Aqui estuda-se o caso mais genérico, considerando as representações complexas de tensão e corrente e o conceito de impedância complexa.
Conforme já visto, a impedância complexa
Z é, para os circuitos CA, a grandeza equivalente à resistência (R) dos circuitos CC.
A impedância é um número complexo na forma
Z = R + j X
#A.1#. Onde a parte real R significa o resultado das resistências elétricas do elemento e a parte imaginária X é a reatância resultante de indutores e capacitores que existirem.
Nos circuitos CC, a potência pode ser calculada pelo produto da resistência pelo quadrado da corrente. Para AC, é então lógico definir uma potência igual ao produto da impedância pelo quadrado da corrente. Neste caso, devem ser usados valores eficazes porque, conforme informado na citada página, evita a divisão por 2, que seria necessária para valores de pico.
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| Fig 01 |
Essa grandeza é denominada
potência complexa S e pode ser calculada por
S = Z Ief2 = (R + j X) Ief2 #B.1#.
Segundo a teoria, o produto de um número complexo pelo seu conjugado é o quadrado do módulo. Para o caso da corrente,
I
ef2 =
Ief Ief*. Da definição de impedância,
Vef =
Z Ief. Assim,
Z I
ef2 =
Z Ief Ief* =
Vef Ief*. Substituindo em #B.1#, chega-se à fórmula mais comum para a potência complexa:
S = Vef Ief* #C.1#.
Voltando à igualdade #B.1#, a potência complexa pode ser escrita como:
S = P + j Q #D.1#. Onde
P = R Ief2 #D.2#.
Q = X Ief2 #D.3#.
A parcela P corresponde à energia por unidade de tempo efetivamente dissipada na carga, devido a resistências elétricas ou quedas de tensão. Por isso, é denominada
potência ativa.
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| Fig 02 |
Com uso das fórmulas trigonométricas para tensão e corrente, é possível demonstrar que a parcela Q tem valor médio nulo, correspondendo a trocas de energia entre fonte e carga, em razão de reatâncias indutivas e capacitivas. Por isso, é denominada
potência reativa.
Segundo teoria dos números complexos, é possível relacionar #D.1# conforme Figura 02.
O módulo S da potência complexa é denominado
potência aparente, valendo a relação
S = √(P2 + Q2) = Vef Ief #E.1#.
Na prática, de acordo com a fórmula acima, a potência aparente pode ser facilmente obtida a partir dos valores medidos de tensão e corrente.
Conforme #B.1#, a potência complexa equivale à impedância multiplicada por um número real (I
ef2). Assim, o ângulo φ corresponde à diferença de fase entre corrente e tensão. O co-seno do mesmo, cos φ, é denominado
fator de potência da carga:
cos φ = P / S #E.2#.
Em circuitos reais, é desejável que o fator de potência seja o mais próximo possível da unidade, a fim de evitar superdimensionamento de redes e equipamentos e perdas de energia. É um dos parâmetros mais importantes em instalações de corrente alternada.
A praxe estabeleceu nomes diferenciados para unidades conforme tabela a seguir.
| Potência |
Aparente |
Ativa |
Reativa |
| Unidade |
volt-ampère |
watt |
volt-ampère reativo |
| Símbolo |
VA |
W |
VAR |
Valores de instalações práticas costumam estar na faixa de múltiplos como KVA, kW, kVAR, etc. Observar que volt-ampère (VA), volt-ampère reativo (VAR) e watt (W) são fisicamente a mesma unidade. A diferença é apenas de nome.