Representação complexa para tensão e corrente senoidais |
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Em páginas anteriores pode ser visto que a análise de circuitos de corrente alternada com o uso de funções trigonométricas implica equações diferenciais trabalhosas e certa dificuldade de visualização, mesmo nos casos mais simples.
Seja uma tensão senoidal genérica dada pela função co-seno e ângulo de fase (φ) nulo:
v = V
p cos ωt
#A.1#.
Seja agora uma tensão fictícia representada pela função seno com os mesmos parâmetros e multiplicada por um fator
a qualquer:
a V
p sen ωt
#A.2#. Desde que co-seno e seno diferem apenas no deslocamento angular, pode-se supor que a resposta do circuito será na mesma proporção da anterior (#A.1#).
Considerando o princípio da superposição, pode-se também imaginar que essas duas parcelas podem ser somadas e, no resultado, a parcela correspondente a #A.1# pode ser recuperada:
V
p cos ωt + a V
p sen ωt
#A.3#. Se ao fator
a é atribuída a unidade imaginária (j = √−1), a expressão torna-se um número complexo, que pode ser dado em forma exponencial segundo a relação de Euler:
V = V
p cos ωt + j V
p sen ωt = V
p e
jωt #A.4#.
Portanto, a tensão original v (de #A.1#) é a parte real (Re) do número complexo acima, ou seja,
v = Re[
V ] = Re[ V
p e
jωt ]
#A.5#.
Para a corrente senoidal, o procedimento é similar. Neste caso, é considerado um ângulo de fase φ. A tabela abaixo dá o resumo para ambas.
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Forma trigonométrica |
Forma complexa exponencial |
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| Tensão |
v = Vp cos ωt |
V = Vp ejωt |
#B.1# |
| Corrente |
i = Ip cos (ωt + φ) |
I = Ip ej(ωt + φ) |
#C.1# |
Notar que a suposição de fase nula para tensão e φ para corrente é apenas uma questão de simplicidade. Podem ser perfeitamente considerados valores genéricos para cada (φ
v e φ
i, por exemplo).
A vantagem da representação complexa é evidente: operações como multiplicação, divisão, derivação e integração são significativamente mais simples com números complexos na forma exponencial.
Mais informações sobre números complexos podem ser consultadas nas páginas
Matemática IB e
Calculadora complexa deste site.
Na forma complexa da corrente alternada senoidal, o parâmetro equivalente à resistência dos circuitos de corrente contínua é denominado
impedância complexa Z e é definido como:
Z = V / I #A.1#.
Considerando as formulações do tópico anterior,
V = V
p e
jωt e
I = I
p e
j(ωt + φ), a divisão dos números complexos resulta em
Z = (Vp / Ip) e−jφ #A.2#.
Notar que a impedância tem a mesma dimensão da resistência elétrica e que não é dependente do tempo. Nos próximos itens, fórmulas de impedância para os elementos básicos de circuito.
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| Fig 01 |
Resistor
Para um resistor de valor R percorrido por uma corrente
I, a tensão é simplesmente
V = R
I. Portanto, a impedância é
Z =
V /
I = R
I /
I = R
#B.1#.
De acordo com a teoria dos números complexos, eles podem ser escritos em coordenadas retangulares na forma:
a + j b, onde
a é a parte real e
b, a imaginária, que são representadas nos eixos horizontal e vertical respectivamente.
Para maior clareza, pode-se dizer então que a impedância complexa do resistor é
ZR = R + j 0 #B.2#.
Ou seja, é um número complexo com a parte imaginária nula. Graficamente, números complexos podem ser indicados por vetores de componentes iguais às suas partes reais e imaginárias. Ver Figura 01 para esse caso.
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| Fig 02 |
Indutor
Seja uma corrente senoidal na forma complexa de acordo com o tópico anterior:
I = I
p e
j(ωt + φ). A soma no expoente pode ser separada:
I = I
p e
j φ e
j ωt. Se essa corrente circula em um indutor de indutância L, a tensão no mesmo, segundo relações da eletricidade, é dada por:
V = L d
I/dt = j ω L I
p e
j φ e
j ωt. E a impedância é
ZL =
V/
I = L d
I/dt = j ω L I
p e
j φ e
j ωt / [I
p e
j φ e
j ωt].
Simplificando,
ZL = j ω L
#C.1#. Ou, para maior clareza,
ZL = 0 + j ω L #C.2#.
Portanto, a impedância complexa de um indutor é um número complexo com a parte real nula e a parte imaginária igual a ωL, que é a sua
reatância indutiva X
L, conforme visto em página anterior. Representação gráfica na Figura 02.
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| Fig 03 |
Capacitor
No caso do capacitor, a relação entre tensão e corrente pode ser indicada pela fórmula dada na página
Correntes alternadas I-30:
I = C d
V/dt.
A tensão complexa,
V = V
p e
jωt, pode ser introduzida nessa fórmula:
I = j ω C V
p e
jωt. E a impedância é
ZC =
V/
I = 1 / (j ω C) = − j / (ω C)
#D.1#. De forma mais clara,
ZC = 0 − j / (ω C) #D.2#.
Ou seja, a impedância complexa para o capacitor é um número complexo com a parte real nula e a parte imaginária igual a −1 / (ω C), que é o negativo da sua
reatância capacitiva X
C. Ver Figura 03.
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| Fig 04 |
Caso genérico
Para um circuito qualquer, composto por resistores, indutores e capacitores, é lícito supor que a impedância seja dada por:
Z = R + j X #E.1#. Onde,
R é o resultado da combinação das resistências e X é o resultado da combinação de reatâncias indutivas e capacitivas.
A Figura 04 dá a representação gráfica para esse caso. O valor de X pode ser positivo ou negativo, dependendo da predominância de indutores ou de capacitores.
A igualdade acima (#E.1#) equivale á forma exponencial de #A.2#,
Z = (V
p / I
p) e
−jφ.
Considerando, sem negrito, Z = V
p / I
p, tem-se
Z = Z e−jφ = R + j X #F.1#.
De acordo com relações de números complexos,
Z2 = R2 + X2 #F.2#.
φ = tan−1 X / R #F.3#. Esse ângulo equivale à diferença de fase entre corrente e tensão.