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Memórias I


Memórias são dispositivos que armazenam informações. Neste conceito, podemos incluir até os meios analógicos, como os antigos discos de vinil e fitas magnéticas para áudio e vídeo analógicos. Mas o objetivo aqui são as informações digitais, de forma que a idéia de memória fica implicitamente relacionada com dados digitais.

Blocos lógicos elementares
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Classificação de memórias digitais
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Um pouco de história (memórias de retardo e de núcleo magnético) |

Blocos lógicos elementares - Tabelas para consulta

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Nome E (AND) OU (OR) NÃO (NOT) OU exclusivo (XOR) NÃO E (NAND) NÃO OU (NOR) Flip-Flop JK Flip-Flop D Flip-Flop T
Símbolo AND OR NOT XOR NAND NOR JK FLIP-FLOP D FLIP-FLOP T FLIP-FLOP
Notação S = A . B S = A + B S = A S = A XOR B S = (A . B) S = (A + B) - - -
Tabela de
verdade
A B S
0 0 0
0 1 0
1 0 0
1 1 1
A B S
0 0 0
0 1 1
1 0 1
1 1 1
A   S
0   1
1   0
A B S
0 0 0
0 1 1
1 0 1
1 1 0
A B S
0 0 1
0 1 1
1 0 1
1 1 0
A B S
0 0 1
0 1 0
1 0 0
1 1 0
J K Q
0 0 Qa
0 1 0
1 0 1
1 1 Qa
D   Q
0   0
1   1
T   Q
0   Qa
1   Qa
Alguns blocos lógicos citados são formados por combinações de blocos elementares, mas são assim considerados pela importância de suas funções. O bloco NÃO, se junto de outros, pode ser indicado apenas por um pequeno círculo. Alguns símbolos podem diferir um pouco dos apresentados na página devido a diferenças de softwares gráficos. A operação de flip-flops depende também das entradas CK, PR e CL. Ver páginas correspondentes.

Classificação de memórias digitais

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As memórias que armazenam informações digitais podem ser classificadas segundo alguns critérios funcionais. Ver quadro abaixo.

 Item

Critério Variação I Variação II
(a) Acesso Seqüencial Aleatório
(b) Persistência dos dados Volátil Não volátil
(c) Alterações de dados Somente leitura Leitura / escrita
Tab 01

Nas memórias de acesso seqüencial, o tempo de escrita e/ou leitura de um dado depende da posição do mesmo. É o caso de discos e fitas magnéticas (disquetes, discos rígidos, etc) e discos óticos (CDs). Nas memórias de acesso aleatório, o tempo independe da posição do dado. São normalmente implementadas com circuitos lógicos.

As memórias voláteis perdem os dados armazenados se a alimentação elétrica do dispositivo é removida. Em geral são as memórias feitas de circuitos lógicos, mas existem tipos que preservam os dados. Nas memórias não voláteis, os dados são preservados na falta de alimentação elétrica. É o caso de discos e fitas magnéticas e discos óticos.

Nas memórias de somente leitura, os dados são gravados em fábrica e não podem ser posteriormente alterados, em contraste com as de leitura /escrita, cujos dados podem ser livremente modificados. Dispositivos de discos ou fitas magnéticas são em geral de leitura / escrita (disquetes, discos rígidos, etc). Discos óticos podem ser de um ou de outro tipo (CD comum, CD gravável). Memórias com circuitos lógicos também podem ser de apenas leitura ou de leitura / escrita.

Aqui tratamos apenas das memórias com circuitos lógicos. Em geral, elas são de acesso aleatório. A sigla inglesa RAM (Random Access Memory, memória de acesso aleatório) é comumente usada para as memórias de operação de computadores, que, além de acesso aleatório, são também voláteis e de leitura / escrita. Mas, tecnicamente, a sigla RAM pode ser aplicada para qualquer memória de acesso aleatório, independente de outras propriedades.

Um pouco de história (memórias de retardo e de núcleo magnético)

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Comparadas com as de hoje, as memórias dos primeiros computadores eram rudimentares, volumosas, de pequena capacidade. Afinal, foram desenvolvidas numa época em que não havia transistores ou circuitos integrados. Mas o estudo de alguns tipos pode ser útil para lembrar alguns princípios da física.

A primeira memória de computador usava um meio físico (mercúrio líquido) para formar uma linha de retardo de pulsos de ondas sonoras que representavam bits de informação. Ver Figura 01.

O transdutor da extremidade esquerda converte sinais elétricos em ondas sonoras e o da direita, sinais sonoros em elétricos.

Memória de linha de retardo
Fig 01
Assim, uma seqüência de dados em forma de pulsos elétricos aplicada no amplificador esquerdo é convertida em uma seqüência de pulsos mecânicos que se desloca através do mercúrio contido no tubo, na velocidade de propagação do som neste meio.

Do amplificador direito, há uma realimentação elétrica para a entrada.

A realimentação mantém a seqüência de pulsos indefinidamente no dispositivo, enquanto houver operação dos amplificadores. Ou seja, a informação é armazenada e pode ser usada quando necessário.

Essas memórias, construídas nos primeiros anos da década de 1950, usavam tubos de comprimento aproximado 1500 mm, que podiam armazenar 384 bits de informação. Valor irrisório para os tempos atuais. Variações de temperatura afetam a velocidade de propagação, causando problemas de sincronização de dados. Posteriormente o mercúrio foi substituído por espirais de fios de ligas metálicas de boa estabilidade térmica, para aumentar a capacidade.

A maior evolução das memórias dos primeiros computadores foi dada pelas memórias de núcleo magnético, que usavam ferrite como material dos núcleos.

Ferrite (nome comercial provavelmente) é um material magnético desenvolvido no final da década de 1930. É formado basicamente por óxido de ferro (Fe2O3) e óxidos de outros metais como zinco, níquel, manganês, cobre. Os óxidos, na forma de pó, são misturados e prensados para obter a peça desejada, que é submetida a um processo de sinterização, isto é, aquecimento em temperatura inferior à de fusão, mas suficiente para provocar a difusão de átomos entre as estruturas cristalinas dos diferentes materiais. O resultado é um material duro, quebradiço, de propriedades magnéticas especialmente adequadas para dispositivos de altas freqüências como núcleos de transformadores, pequenas antenas, etc.

Materiais ferromagnéticos, como o ferrite, exibem uma magnetização residual após exposição a um campo magnético externo e as variações de parâmetros seguem curvas diferentes de acordo com o sentido de variação do campo. Isto é denominado histerese e mais detalhes podem ser vistos na página Eletromagnetismo II deste site.

Os núcleos têm forma de anel e a composição do ferrite usado é tal que a curva de histerese é praticamente retangular, como em (a) da Figura 02. Se o núcleo é atravessado por um condutor pelo qual circula uma corrente contínua, o campo magnético formado pode provocar uma magnetização no núcleo.

No eixo horizontal, i representa a corrente circulando pelo condutor (o campo magnético formado é proporcional à mesma). O eixo vertical indica o campo em um determinado ponto da magnetização residual do núcleo.

O gráfico permite concluir que somente correntes acima de determinado valor (i por exemplo) provocam uma magnetização B no núcleo. Uma corrente i/2 por exemplo, não provoca. Para mudar o sentido da magnetização (inverter pólos), é necessária uma corrente de sentido contrário de valor, por exemplo, -i. Um valor -i/2 não provoca a mudança.

Notar também que a mudança depende do estado anterior. Se, por exemplo, o núcleo estava magnetizado com B, uma corrente i nada muda, mas uma corrente -i inverte a magnetização. E o oposto se estava com -B. Funciona portanto como um biestável, similar a um flip-flop digital. Em outras palavras, o estado final (B ou -B) depende da "entrada" (i ou -i) e do estado inicial (B ou -B).

Supomos agora que o núcleo é atravessado por dois condutores e os sentidos das correntes são os mesmos: neste caso o campo magnético resultante é a soma de ambos. Se em cada condutor circula uma corrente i/2 (ou -i/2), pode ocorrer mudança de magnetização conforme parágrafo anterior. Se circula corrente i/2 (ou -i/2) em apenas um condutor, não há possibilidade de mudança.

Memória de núcleo magnético
Fig 02
Seja uma matriz com 16 núcleos conforme Figura 02 (b).

Se, por exemplo, aplicamos uma corrente i/2 em X1 e uma corrente i/2 em Y2 e não aplicamos corrente nas demais, somente o núcleo da interseção da coluna X1 com a linha Y2 poderá mudar de estado de magnetização. Os demais núcleos ou terão corrente nula ou i/2, insuficiente para provocar mudanças conforme já visto.

Portanto, a interseção das linhas de corrente faz o endereçamento do núcleo e permite gravar um bit de informação mediante uma convenção (por exemplo B para valor 1 e -B para valor 0). Ou seja, o arranjo da figura é uma memória de núcleos magnéticos.

O processo de leitura é um pouco mais complicado. Há uma linha L (cor laranja na figura) que atravessa todos os núcleos. Se, por exemplo, desejamos ler a informação do núcleo da interseção X1 e Y2, aplicamos as mesmas correntes do procedimento anterior. Se houver mudança de estado, um pulso é induzido em L e assim podemos saber o valor armazenado. Observar que, neste caso, a leitura é destrutiva e a lógica do circuito deve reescrever o valor no núcleo.

As memórias de núcleo magnético apresentam vantagens óbvias em relação ao tipo anterior: são estáveis, não voláteis e os núcleos podem ser pequenos, reduzindo o tamanho. Para dar uma idéia, uma memória de 4 kB ocupava uma placa de dimensões aproximadas 35 x 35 cm (isso mesmo, 4 quilobytes e não megabytes. Mas era um valor considerável na época). Foram usadas em computadores comerciais, máquinas de comando numérico e outros sistemas até o final da década de 1970.
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