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Eletrônica digital IIIA - Conversor analógico - digital


Conforme dito na página anterior, a conversão e uma grandeza analógica em digital é mais complexa do que o procedimento inverso. Nesta página são descritos alguns tipos de conversores. Certamente não são todos os possíveis e outros poderão ser incluídos em futuras atualizações.

Blocos lógicos elementares
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Conversor tipo paralelo |
Conversor tipo rampa digital |
Conversor tipo rastreamento |

Blocos lógicos elementares - Tabelas para consulta

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Nome E (AND) OU (OR) NÃO (NOT) OU exclusivo (XOR) NÃO E (NAND) NÃO OU (NOR) Flip-Flop JK Flip-Flop D Flip-Flop T
Símbolo AND OR NOT XOR NAND NOR JK FLIP-FLOP D FLIP-FLOP T FLIP-FLOP
Notação S = A . B S = A + B S = A S = A XOR B S = (A . B) S = (A + B) - - -
Tabela de
verdade
A B S
0 0 0
0 1 0
1 0 0
1 1 1
A B S
0 0 0
0 1 1
1 0 1
1 1 1
A   S
0   1
1   0
A B S
0 0 0
0 1 1
1 0 1
1 1 0
A B S
0 0 1
0 1 1
1 0 1
1 1 0
A B S
0 0 1
0 1 0
1 0 0
1 1 0
J K Q
0 0 Qa
0 1 0
1 0 1
1 1 Qa
D   Q
0   0
1   1
T   Q
0   Qa
1   Qa
Alguns blocos lógicos citados são formados por combinações de blocos elementares, mas são assim considerados pela importância de suas funções. O bloco NÃO, se junto de outros, pode ser indicado apenas por um pequeno círculo. Alguns símbolos podem diferir um pouco dos apresentados na página devido a diferenças de softwares gráficos. A operação de flip-flops depende também das entradas CK, PR e CL. Ver páginas correspondentes.

Conversor tipo paralelo

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É provavelmente a forma mais simples e direta de conversão. A Figura 01 dá o diagrama básico para saída em três dígitos binários.

Uma tensão de referência (4,8 V no exemplo) é aplicada na série de divisores de tensão formados por R1 a R7, de idênticos valores (R).

Conversor analógico digital tipo paralelo
Fig 01
Os blocos C1 a C7 são comparadores: se o sinal em (+) for maior que em (-), a saída é 1 e nula nos demais casos.

Suponhamos, por exemplo, que 2 volts são aplicados na entrada analógica: C1, C2 e C3 terão saída 1 e C4, C5, C6 e C7 terão saída 0. Ou, de baixo para cima, 0001111.

X1 a X7 são blocos tipo OU EXCLUSIVO, ou seja, a saída é nula se as entradas são iguais e 1 se as entradas são diferentes (ver Tabelas para consulta).

Considerando a entrada anterior (C1 a C7 = 0001111), temos as saídas X1 a X7 = 0010000. Portanto, um nível de tensão na entrada analógica é convertido em uma única saída 1 nos blocos X1 a X7. Se a entrada analógica é nula (ou melhor, menor que 0,6 V neste caso), todas as saídas X serão nulas e, portanto, as saídas digitais ABC também serão nulas (devido a esta situação particular, são usados 7 comparadores e 7 portas XOR e não 8).

Nos demais casos, apenas uma das saídas X têm valor 1, dependendo da faixa da tensão analógica de entrada. Para a transformação em uma seqüência de dígitos binários, os diodos nas saídas são suficientes, dispensando decodificadores mais elaborados. Os números binários nas saídas dos diodos indicam a situação quando a saída da respectiva porta X está em 1. Assim, tensões analógicas na entrada são convertidas em números binários de 3 dígitos.

É evidente que a conversão se dá de forma escalonada, isto é, tensões que variam dentro de valores consecutivos do divisor têm a mesma saída digital (exemplo: no circuito dado, uma tensão de 0,8 V tem a mesma saída digital de uma tensão de 1,1 V). Isso também ocorre com os outros tipos e o valor mínimo de variação que é perceptível pelo circuito é chamado resolução do mesmo.

É também fácil concluir que a resolução depende do número de dígitos binários (bits) da saída. No exemplo dado, de 3 bits, temos resolução = 1/23 = 0,125 ou 12,5%.

Este tipo de conversor é, conforme já mencionado, simples e eficiente. No caso de variações rápidas da tensão de entrada, a resposta depende somente das características dos circuitos comparadores e portas lógicas. Outro aspecto positivo: no exemplo dado, R0 a R7 têm o mesmo valor e, portanto, a saída varia linearmente com a entrada. O uso de valores adequadamente diferenciados permite conversões não lineares (logarítmicas, por exemplo). Embora isto seja possível com outros tipos, o processo não é tão fácil quanto a simples seleção de valores de resistores.

Entretanto, o circuito apresenta uma limitação prática devido ao elevado número de componentes necessários. Pelo circuito dado, pode-se concluir que o número de resistores, comparadores e portas XOR (sem contar os diodos) é (2n - 1) para cada, onde n é o número de bits de saída. Considerando que o mínimo usual é 8 bits, esse número seria 255. Para 16 bits, 65535. Outros tipos foram desenvolvidos para evitar esse inconveniente.

Conversor tipo rampa digital

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Este conversor usa um artifício comum a vários outros tipos: conforme Figura 01, a saída de um contador (de 4 bits neste exemplo) é ligada na entrada de um conversor digital analógico.

Supomos de início que a entrada de clock do contador é continuamente alimentada com uma seqüência de pulsos. Nesta situação, a tensão Vcon na saída S do conversor varia entre 0 e um valor Vmax, que depende do contador e das características do conversor digital analógico. Um ciclo dessa variação pode ser visto no gráfico na parte inferior esquerda da figura.

Conversor analógico digital tipo rampa digital
Fig 01
Mas no circuito há um comparador e uma porta E na entrada de clock. Enquanto a tensão Vcon for menor que a da entrada analógica Ea, a saída do comparador é 1 e os pulsos de clock são dirigidos ao contador.

No momento em que Vcon se torna maior que Ea, a saída do comparador passa para 0, bloqueando os pulsos de clock e, portanto, a contagem.

Desde que a saída do comparador também vai para a entrada de clock dos flip-flops (tipo mestre-escravo), o valor digital da saída do contador é armazenado nos mesmos (lembrar que flip-flops tipo mestre-escravo só permitem a mudança de estado na transição de 1 para 0 do clock). Portanto, a saída digital armazenada nos flip-flops tem relação linear com a entrada analógica Ea desde que, é claro, ela esteja dentro da faixa 0-Vmax.

O circuito básico apresentado não opera continuamente. A contagem pára após a primeira interrupção. O reinício é dado pela aplicação do nível 0 na entrada clear do contador, o que pode ser facilmente implementado de forma automática.

Conversor tipo rastreamento

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Usa o mesmo princípio básico do tipo anterior, mas o arranjo é mais elaborado, resultando em um circuito mais simples.

Conversor analógico digital tipo rastreamento
Fig 01
Os pulsos de clock alimentam continuamente a entrada do contador, o qual dispõe de uma entrada digital que comuta, de acordo com o nível lógico, o sentido da contagem (crescente ou decrescente), conforme já visto nas páginas correspondentes (Eletrônica Digital IIA e Eletrônica Digital IIB).

Enquanto a entrada analógica Ea é maior que Vcon, a saída do comparador é 1 e o contador opera de modo crescente. Quando Vcon se torna maior que Ea, a saída do comparador vai para 0 e o contador opera de forma decrescente.

Isso leva Vcon a um valor imediatamente abaixo de Ea, invertendo o processo.  Assim, considerando Ea constante, o contador opera continuamente entre dois valores próximos de Ea, não havendo necessidade dos flip-flops de armazenamento. Se o valor de Ea muda, o patamar de operação também muda.
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