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Sistemas de controle II-20



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Seja um sistema de segunda ordem definido pela função de transferência:

G(s) =  Y(s)  =  b0   #A.1#
X(s) s2 + a1s + a0

De modo similar ao do sistema de primeira ordem já visto na página anterior, as constantes dessa igualdade são redefinidas para indicar parâmetros físicos usuais. Assim,

G(s) =   Y(s)  = K  ωn2   #A.2#. Onde:
X(s) s2 + 2ζωns + ωn2

ωn : freqüência natural de oscilação (sem amortecimento).
ζ  : fator de amortecimento.

Os pólos são dados pelas raízes da equação característica,

s2 + 2ζωns + ωn2 = 0  #B.1#, que é uma equação comum do segundo grau. Assim,

p1, p2 = − ζωn ± ωn √(ζ2 − 1)  #B.2#.

Pólos do sistema de segunda ordem
Figura 01
Da igualdade #B.2# conclui-se que os pólos (ou raízes) podem ser números complexos ou reais, dependendo do valor de ζ em relação à unidade.

• Se 0 < ζ < 1, o sistema é dito subamortecido e as raízes são conjugados complexos dados por:

p1, p2 = − ζωn ± j ωn √(1 − ζ2 #C.1#.

Indicação gráfica na Figura 01 (a).

• Se ζ = 1, o sistema é dito criticamente amortecido e as raízes são reais e iguais conforme:

p1, p2 = − ζωn  #C.2#.

• Se ζ > 1, o sistema é superamortecido e as raízes são reais e diferentes segundo a igualdade:

p1, p2 = − ζωn ± ωn √(ζ2 − 1)  #C.3#.

A parte (b) da Figura 01 ilustra os dois últimos casos.

A resposta ao degrau unitário é obtida com x(t) = u(t). Assim, X(s) = 1/s. Substituindo em #A.2#,

Y(s) = G(s)  1  =  ωn2   #D.1#
s s(s2 + 2ζωns + ωn2)

Omitindo a demonstração, o resultado para a transformada inversa é:

y(t) =  1 −  1  e−ζωnt sen(βωnt + φ)  #D.2#. Onde:
β

β = √(1 − ζ2)		#D.3#.
φ = arctan (β/ζ)	#D.4#.
0 < ζ < 1		#D.5# (sistema subamortecido).

Oscilações e fator de amortecimento
Figura 02
No caso de amortecimento crítico (ζ = 1), a solução é:

y(t) = 1 − (A + Bt) e−ωnt  #E.1#. Onde:

A = y(0) #E.2#.
B = y'(0) + y(0) ωn #E.3#.


Para o sistema superamortecido (ζ > 1),

y(t) = 1 − A ep1t − B ep2t  #F.1#. Onde:

A = y(0) + [p1y(0) − y'(0)]/(p2 − p1 #F.2#.
B = [p1y(0) − y'(0)]/(p2 − p1 #F.3#.
p1, p2  conforme #C.3#.

A Figura 02 mostra curvas para alguns valores do fator de amortecimento ζ, de acordo com as equações anteriores, considerando ωn = 1. Todas tendem para 1, que é a resposta de estado estacionário do sistema. A situação de amortecimento crítico (ζ = 1) é a que atinge a resposta estacionária no menor tempo, sem oscilar (exemplo de aplicação prática: dispositivos de fechamento de portas, que devem operar nessa condição para fechar no menor tempo e não bater).


A Figura 03 mostra a resposta temporal y(t) ao degrau unitário de um sistema subamortecido segundo equação #D.2#, com fator de amortecimento ζ = 0,3 e freqüência natural ωn = 1. Esse gráfico tem o propósito de auxiliar a definição de alguns parâmetros de desempenho de sistemas de controle, conforme a seguir descritos.

yss é a resposta de estado estacionário (1, neste caso), de modo similar ao do sistema de primeira ordem visto na página anterior. Também denominado valor final.

Notar que, também de forma similar à do anterior, a constante de tempo do decaimento exponencial pode ser deduzida a partir da equação #D.2#, ou seja,

τ = 1/(ζ ωn #G.1#.

Parâmetros de desempenho
Figura 03
tr tempo de subida (rise time): é o intervalo de tempo necessário para a resposta variar de 10% a 90% do valor final.

ts tempo de acomodação (settling time): tempo necessário para a resposta ficar dentro de uma faixa do valor final, em geral de ±2% a ±5%. Também pode ser definido por quatro constantes de tempo, isto é,

ts = 4τ = 4/(ζ ωn #G.2#.

td tempo de atraso (delay time): tempo necessário para a resposta chegar a 50% do valor final.

Mpt valor de pico (maximum value): maior valor da resposta. Ver figura. Tempo de pico tp é o tempo correspondente.

Mp sobre-sinal máximo (overshoot): diferença entre o valor de pico e o valor final. É usual a indicação em termos percentuais:

PO = 100 (Mpt − yss) / yss  #G.3# (PO: percent overshoot).

O valor máximo é determinado por y'(t), que deve ser nula para t = tp. Omitindo o desenvolvimento, a derivada de #D.2# em relação ao tempo é:

Percentual de overshoot e tempo de pico
Figura 04
dy(t)/dt = (ωn/β) e−ωnt sen βωn #H.1#.

Para dy(t)/dt = 0, deve-se ter sen βωnt = 0.

βωntp = π. Lembrando a definição de β segundo #D.3#,

tp π   #H.2#
ωn √(1 − ζ2)

ωn tp π   #H.3#
√(1 − ζ2)


Substituindo o valor de tp em #D.2#, Mpt = 1 + e−ζπ/√(1 − ζ2)  #H.4#. Portanto,

PO = 100 e−ζπ/√(1 − ζ2)  #H.5#.

Observa-se então que o percentual de overshoot depende apenas do fator de amortecimento ζ. A Figura 04 exibe gráfico desse valor e também de ωn tp em relação a ζ.

Pólos e percentual de overshoot
Figura 05
A Figura 05 mostra os pólos do sistema subamortecido, conforme já visto pela igualdade #C.1# e Figura 01 (a).

Usando relações trigonométricas,

tan θ =  √(1 − ζ2)   #I.1#
ζ

Essa igualdade pode ser simplificada para:

cos θ = ζ  #I.2#

Considerando #H.5#, o percentual de overshoot pode ser dado por:

PO = 100 e−π/tan θ  #J.1#.

De #G.2#, a relação do tempo de acomodação com a parte real dos pólos (−ζωn) é:

−ζωn = − 4/ts  #J.2#.

Exemplo com sistema massa, mola e amortecedor
Figura 06
Exemplo: seja o sistema massa, mola e amortecedor segundo Figura 06 e os valores a considerar:

m = 100 kg.
k = 1600 N/m.

Dimensionar c para PO igual a 10%.

Das relações físicas da mecânica,

100 x''(t) + c x'(t) + 1600 x(t) = f(x)

Dividindo tudo por m (100 kg),

x''(t) + (c/100) x'(t) + 16 x(t) = (1/1600) 16 f(x).

Aplicando a transformada de Laplace,

[s2 + (c/100) s + 16] X(s) = (1/1600) 16 F(s).

Essa relação conduz à função de transferência conforme #A.2# com os parâmetros:

ωn2 = 16 e, portanto, ωn = 4.

(c/100) = 2 ζ ωn = 8 ζ.

Para um percentual de overshoot igual a 10%, segundo o gráfico da Figura 04 (ou calculando pela fórmula):

ζ ≈ 0,6. Portanto, (c/100) = 8 0,6 = 4,8 e o coeficiente de amortecimento é c = 480 N s/m.


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