Função de transferência
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De forma genérica, o comportamento de um sistema linear que produz uma saída y(t) em resposta a uma entrada x(t), como em (a) da Figura 01, é descrito por equações diferenciais lineares:
| an |
dny(t) |
+...+ a1 |
dy(t) |
+ a0 y(t) |
= |
bm |
dmx(t) |
+...+ b1 |
dx(t) |
+ b0 x(t) |
#A.1# |
| dtn |
dt |
dtm |
dt |
Aplicando a
transformada de Laplace a ambos os lados dessa igualdade e supondo nulas todas as condições iniciais,
Y(s) [ ansn + ... + a1s + a0 ] = X(s) [ bmsn + ... + b1s + b0 ] #A.2#.
Reagrupando essa igualdade e acrescentando algumas definições,
| G(s) = |
Y(s) |
= |
bmsm + ... + b1s + b0 |
= |
N(s) |
|
#A.3# |
| X(s) |
ansn + ... + a1s + a0 |
D(s) |
|
| Figura 01 |
As notações N(s) e D(s) são usuais para indicar os polinômios do numerador e do denominador respectivamente.
A função G(s) é denominada
função de transferência do sistema. Assim, para um sistema genérico como em (b) da Figura 01, a relação entre saída e entrada no domínio da variável complexa s é dada por:
Y(s) = G(s) X(s) #A.4#
Aplicando o
teorema da convolução à igualdade anterior,
L−1{G(s) X(s)} = y(t) = ∫0...t g(t − τ) x(τ) dτ #B.1#.
Naturalmente, a função g(t) é a transformada inversa de G(s):
g(t) = L−1{ G(s) } #B.2#.
Considerando agora a entrada igual à
função delta (ou função impulso), isto é,
x(t) = δ(t), a transformada é unitária, ou seja,
L{ x(t) } = L{ δ(t) } = 1.
Conforme #A.4#,
Y(s) = G(s). Usando #B.2#,
g(t) = y(t) para
x(t) = δ(t) #B.3#.
Por essa relação, a função
g(t) é denominada
resposta ao impulso. Em outros termos, pode-se dizer que a função de transferência é a transformada de Laplace da resposta ao impulso do sistema.
Reescrevendo a igualdade #A.3#,
| G(s) = |
N(s) |
= |
bmsm + ... + b1s + b0 |
|
#C.1#. |
| D(s) |
ansn + ... + a1s + a0 |
O valor m é o grau do polinômio N(s) e n é o grau do polinômio D(s).
Seguem algumas definições e conceitos:
• G(s) é
própria se
m ≤ n.
• G(s) é
estritamente própria se
m < n. Nessa condição,
G(s) → 0 se
s → ∞.
• As raízes de N(s) são os
zeros de G(s).
• As raízes de D(s) são os
pólos de G(s).
• O denominador D(s) é denominado
polinômio característico.
Em alguns casos, é usual representar a função de transferência em forma fatorada:
| G(s) = |
N(s) |
= k0 |
(s − z1) (s − z2) ... (s − zm) |
|
#C.2#. |
| D(s) |
(s − p1) (s − p2) ... (s − pn) |
Onde z
i e p
i são os zeros e pólos conforme já visto. Conclui-se, portanto, que um sistema linear invariável com o tempo é completamente descrito por seus zeros e pólos e pelo fator de ganho k
0.
Combinações de funções de transferência
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Conforme já comentado em página anterior, sistemas práticos são muitas vezes formados por combinações de sistemas elementares. Neste tópicos são comentadas as operações básicas, com a suposição de funcionamento ideal, isto é, as ligações entre blocos não afetam os sinais envolvidos.
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| Figura 01 |
Conexão em série ou cascata
Na ligação conforme Figura 01,
Y(s) = Y2(s) = G2(s) X2(s).
Y(s) = G2(s) G1(s) X1(s) = G2(s) G1(s) X(s).
| Portanto, a função equivalente é |
G(s) = |
Y(s) |
= |
G1(s) G2(s) |
#A.1#. |
| X(s) |
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| Figura 02 |
Conexão em paralelo
De acordo com a Figura 02,
Y(s) = Y1(s) + Y2(s).
Y1(s) = G1(s) X1(s) = G1(s) X(s).
Y2(s) = G2(s) X2(s) = G2(s) X(s).
Y(s) = Y1(s) + Y2(s) = G1(s) X(s) + G2(s) X(s) = [ G1(s) + G2(s) ] X(s).
A função equivalente é
G(s) = G1(s) + G2(s) #B.1#.
Naturalmente, pode ser a diferença se o ponto de soma tiver um sinal negativo.
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| Figura 03 |
Realimentação
Conforme Figura 03,
X1(s) = X(s) − Y2(s).
Y2(s) = G2(s) X2(s) = G2(s) Y(s).
Y(s) = Y1(s) = G1(s) X1(s) = G1(s) [ X(s) − G2(s) Y(s) ] = G1(s) X(s) − G1(s) G2(s) Y(s).
| A função de transferência equivalente é |
G(s) = |
Y(s) |
= |
G1(s) |
#C.1#. |
| X(s) |
1 + G1(s) G2(s) |
Essa configuração é denominada
realimentação negativa porque X(s) é subtraído de X
2(s). Se o sinal do ponto de soma for positivo para Y
2(s), haverá uma
realimentação positiva e o sinal no denominador de #C.1# deverá ser negativo.
Seja o caso particular de G
1(s) ser um amplificador linear de ganho A muito grande, isto é, A → ∞:
| G(s) = |
Y(s) |
= |
A |
= |
1 |
≈ |
1 |
#C.2#. |
| X(s) |
1 + A G2(s) |
(1/A) + G2(s) |
G2(s) |
Esse é o princípio de operação dos
amplificadores operacionais, onde o bloco G
2(s) pode, dentro de certos limites práticos, desempenhar o trabalho de uma variedade de funções.
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Última revisão ou atualização: Mai/2008