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Sistemas de controle I-20



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Função de transferência

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De forma genérica, o comportamento de um sistema linear que produz uma saída y(t) em resposta a uma entrada x(t), como em (a) da Figura 01, é descrito por equações diferenciais lineares:

an dny(t)  +...+ a1 dy(t)  + a0 y(t)  =  bm dmx(t)  +...+ b1 dx(t)  + b0 x(t) #A.1#
dtn dt dtm dt

Aplicando a transformada de Laplace a ambos os lados dessa igualdade e supondo nulas todas as condições iniciais,

Y(s) [ ansn + ... + a1s + a0 ] = X(s) [ bmsn + ... + b1s + b0 #A.2#.

Reagrupando essa igualdade e acrescentando algumas definições,

G(s) =  Y(s)  =  bmsm + ... + b1s + b0  =  N(s)   #A.3#
X(s) ansn + ... + a1s + a0 D(s)

Sistema genérico
Figura 01
As notações N(s) e D(s) são usuais para indicar os polinômios do numerador e do denominador respectivamente.

A função G(s) é denominada função de transferência do sistema. Assim, para um sistema genérico como em (b) da Figura 01, a relação entre saída e entrada no domínio da variável complexa s é dada por:

Y(s) = G(s) X(s)  #A.4#


Aplicando o teorema da convolução à igualdade anterior,

L−1{G(s) X(s)} = y(t) = 0...t g(t − τ) x(τ) dτ  #B.1#.

Naturalmente, a função g(t) é a transformada inversa de G(s):

g(t) = L−1{ G(s) }  #B.2#.

Considerando agora a entrada igual à função delta (ou função impulso), isto é, x(t) = δ(t), a transformada é unitária, ou seja,

L{ x(t) } = L{ δ(t) } = 1.

Conforme #A.4#, Y(s) = G(s). Usando #B.2#,

g(t) = y(t) para x(t) = δ(t)  #B.3#.

Por essa relação, a função g(t) é denominada resposta ao impulso. Em outros termos, pode-se dizer que a função de transferência é a transformada de Laplace da resposta ao impulso do sistema.


Reescrevendo a igualdade #A.3#,

G(s) =  N(s)  =  bmsm + ... + b1s + b0   #C.1#.
D(s) ansn + ... + a1s + a0

O valor m é o grau do polinômio N(s) e n é o grau do polinômio D(s).

Seguem algumas definições e conceitos:

• G(s) é própria se m ≤ n.

• G(s) é estritamente própria se m < n. Nessa condição, G(s) → 0 se s → ∞.

• As raízes de N(s) são os zeros de G(s).

• As raízes de D(s) são os pólos de G(s).

• O denominador D(s) é denominado polinômio característico.

Em alguns casos, é usual representar a função de transferência em forma fatorada:

G(s) =  N(s)  = k0  (s − z1) (s − z2) ... (s − zm)   #C.2#.
D(s) (s − p1) (s − p2) ... (s − pn)

Onde zi e pi são os zeros e pólos conforme já visto. Conclui-se, portanto, que um sistema linear invariável com o tempo é completamente descrito por seus zeros e pólos e pelo fator de ganho k0.



Combinações de funções de transferência

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Conforme já comentado em página anterior, sistemas práticos são muitas vezes formados por combinações de sistemas elementares. Neste tópicos são comentadas as operações básicas, com a suposição de funcionamento ideal, isto é, as ligações entre blocos não afetam os sinais envolvidos.


Associação em série
Figura 01
Conexão em série ou cascata

Na ligação conforme Figura 01,

Y(s) = Y2(s) = G2(s) X2(s).

Y(s) = G2(s) G1(s) X1(s) = G2(s) G1(s) X(s).

Portanto, a função equivalente é  G(s) =  Y(s)  =  G1(s) G2(s)  #A.1#.
X(s)


Ligação em paralelo
Figura 02
Conexão em paralelo

De acordo com a Figura 02, Y(s) = Y1(s) + Y2(s).

Y1(s) = G1(s) X1(s) = G1(s) X(s).

Y2(s) = G2(s) X2(s) = G2(s) X(s).

Y(s) = Y1(s) + Y2(s) = G1(s) X(s) + G2(s) X(s) = [ G1(s) + G2(s) ] X(s).

A função equivalente é G(s) = G1(s) + G2(s) #B.1#.

Naturalmente, pode ser a diferença se o ponto de soma tiver um sinal negativo.


Realimentação
Figura 03
Realimentação

Conforme Figura 03,

X1(s) = X(s) − Y2(s).

Y2(s) = G2(s) X2(s) = G2(s) Y(s).

Y(s) = Y1(s) = G1(s) X1(s) = G1(s) [ X(s) − G2(s) Y(s) ] = G1(s) X(s) − G1(s) G2(s) Y(s).

A função de transferência equivalente é  G(s) =  Y(s)  =  G1(s)  #C.1#.
X(s) 1 + G1(s) G2(s)

Essa configuração é denominada realimentação negativa porque X(s) é subtraído de X2(s). Se o sinal do ponto de soma for positivo para Y2(s), haverá uma realimentação positiva e o sinal no denominador de #C.1# deverá ser negativo.


Seja o caso particular de G1(s) ser um amplificador linear de ganho A muito grande, isto é, A → ∞:

 G(s) =  Y(s)  =  A  =  1  ≈  1  #C.2#.
X(s) 1 + A G2(s) (1/A) + G2(s) G2(s)

Esse é o princípio de operação dos amplificadores operacionais, onde o bloco G2(s) pode, dentro de certos limites práticos, desempenhar o trabalho de uma variedade de funções.


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